Lalú de Ouro: Lins Imperial Anuncia Enredo para 2027 em Homenagem a Hilário Jovino Ferreira, Precursor do Mestre-Sala

A Lins Imperial já tem seu caminho traçado rumo ao Carnaval 2027: a agremiação disputará a Série Prata com o enredo “Lalú de Ouro — Um Rei Coroado na Folia”. A escolha celebra a história e o legado de Hilário Jovino Ferreira, agitador cultural, multiartista e figura fundamental para a consolidação do carnaval carioca, sendo reconhecido como o precursor da dança do mestre-sala.

A Narrativa do “Tempo Espiralar”

O enredo propõe uma leitura biográfica de Hilário Jovino construída a partir do conceito de “tempo espiralar”, formulado pela professora e dramaturga Leda Maria Martins. Segundo o enredista Arnaldo César Roque (Kitalesi), essa abordagem entende o tempo como um movimento contínuo de retornos, permanências e recriações, permitindo que a escola percorra caminhos que unem ancestralidade, memória e reinvenção cultural. A ideia é mostrar que as contribuições de Hilário “nunca ficaram presas ao passado; elas retornam, se reinventam e continuam presentes na cultura popular brasileira”.

O desfile atravessará territórios simbólicos na trajetória de Jovino:

  • Velho Pernambuco: O ponto de origem, memória e experiências fundadoras, marcado pelo Maracatu.
  • Bahia: Território de travessia, amadurecimento e fortalecimento identitário junto às tradições afro-brasileiras.
  • Rio de Janeiro: A grande encruzilhada cultural, onde Hilário revolucionou a forma de brincar o carnaval, tornando-se referência indispensável para a folia carioca.

Os carnavalescos Lucas Abelha e Agnaldo Corrêa destacam que o objetivo é transformar essa trajetória em uma estética grandiosa que celebre a força de um legado que atravessa gerações. O enredo também aponta para o espelhamento, evidenciando como outros sambistas e agentes culturais negros seguiram, em diferentes épocas, caminhos de resistência e invenção popular semelhantes aos de Hilário.

Compromisso com a Memória Negra

Ao escolher homenagear “Lalú de Ouro”, a Lins Imperial reafirma sua característica recente de exaltar personalidades pretas ligadas à cultura popular e ao samba. A escola, que já celebrou figuras como Pinah, Mussum, Madame Satã e Jovelina Pérola Negra nos últimos anos, consolida uma identidade narrativa voltada à valorização de trajetórias negras fundamentais. O presidente Flávio Mello afirma que o enredo é um reconhecimento da importância histórica de figuras pretas invisibilizadas.

O enredo será desenvolvido pelos carnavalescos Agnaldo Corrêa e Lucas Abelha, com pesquisa e texto do enredista Arnaldo César Roque (Kitalesi).

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